Se ainda mantém o caderno de elaboração em papel, este artigo é para si. Desde janeiro de 2026, o Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV) tem em vigor um novo Digesto Normativo que alterou a forma como se controla a produção nas adegas argentinas. E embora a desregulamentação tenha simplificado muitas obrigações, a rastreabilidade do seu produto continua a ser da sua responsabilidade. Aqui explicamos o que é necessário registar e como fazê-lo em digital sem complicar a sua vida.
O que mudou com o novo Digesto Normativo do INV
O governo nacional revogou 973 normas anteriores do setor e concentrou tudo num único enquadramento regulatório. As alterações mais importantes para a sua adega:
- Foram eliminadas as declarações juradas semanais de elaboração que existiam anteriormente.
- Foram simplificadas as autorizações de trânsito para movimentos de produto.
- Passam a ser opcionais as certificações de origem, colheita e casta para o mercado interno.
- Continuam a ser obrigatórias essas mesmas certificações para exportação.
O que significa isto na prática? Que o INV deixa de fiscalizar cada etapa do processo e transfere maior responsabilidade para o produtor. Se algo correr mal, uma adulteração, um erro de rotulagem, uma reclamação de um comprador externo, a rastreabilidade dos seus próprios registos é o único respaldo que tem.
O que deve conter o seu caderno de adega
Independentemente do suporte (papel ou digital), estes são os registos mínimos que serão exigidos em qualquer controlo, auditoria DOC ou inspeção para exportação:
- Entrada de uva: data, casta, proveniência (parcela ou fornecedor), quilos recebidos, análises de qualidade (Brix, pH, acidez).
- Processo de elaboração: datas de esmagamento/desengace, maceração, fermentação alcoólica, fermentação maloláctica. Temperatura, densidade, sulfitos adicionados.
- Movimentos de produto: trasfegas, filtrações, correções. Data, volume, operador responsável.
- Análises de laboratório: resultados intermédios e finais. Álcool, acidez volátil, SO2 livre e total.
- Engarrafamento: data, volume, lote, contra-rótulo.
- Baixas e perdas: toda a perda de produto com a sua causa justificada.
Por que o papel já não é suficiente
O caderno em papel apresenta três problemas críticos em 2026:
Em primeiro lugar, não é auditável em tempo real. Se um comprador externo (especialmente dos EUA ou da Europa) solicitar a rastreabilidade do lote que adquiriu, não é possível responder em minutos. Com um sistema digital, é possível gerar o relatório completo a partir do telemóvel.
Em segundo lugar, é difícil cruzar com outros dados. As adegas que já digitalizaram cruzam automaticamente os dados do caderno com as análises de laboratório, os custos de insumos e o stock de garrafas. Em papel, isso demora horas.
Em terceiro lugar, perde-se. Parece óbvio, mas o número de adegas que perderam registos por humidade, mudanças de enólogo ou simplesmente desorganização é enorme. Um ficheiro digital bem guardado dura décadas.
Como passar o caderno para digital sem perder dados históricos
O processo não tem de ser traumático. O que recomendamos:
- Não elimine o papel histórico. Digitalize-o (mesmo que seja apenas digitalizá-lo por scanner) e guarde-o na nuvem.
- Comece a partir da vindima de 2026. Não tente carregar anos anteriores de uma só vez. Com a nova vindima começa do zero.
- Utilize um sistema concebido para a regulamentação argentina. Os ERPs europeus não conhecem o Digesto do INV nem os campos específicos exigidos na Argentina.
- Certifique-se de que o sistema exporta relatórios no formato exigido pelo INV. Nem todas as ferramentas digitais cumprem este requisito.
Cepaos: caderno de adega digital adaptado ao INV argentino
Cepaos é um software de gestão vitivinícola concebido especificamente para adegas argentinas. O caderno de elaboração digital está integrado com rastreabilidade DOC/IG, análises de laboratório, stock e custos. Tudo num único lugar, a partir do telemóvel ou do computador.
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