Se a sua adega produz sob Denominação de Origem Controlada (DOC) ou está a considerar integrá-la, a rastreabilidade já não é uma questão de conformidade interna: é um requisito de mercado. Com as alterações regulatórias do INV em 2026 e a pressão crescente dos compradores internacionais, as adegas que não conseguem demonstrar a rastreabilidade completa dos seus vinhos DOC estão a perder negócios. Explicamos o que o sistema exige e como cumpri-lo sem se afogar em papel.
O que é a DOC e por que existe
A Argentina tem apenas duas Denominações de Origem Controlada: Luján de Cuyo e San Rafael, ambas em Mendoza. A DOC é a distinção máxima que um vinho argentino pode ostentar em termos de origem e qualidade verificada. Para que um vinho possa exibir o selo DOC, é necessário que:
- Provenha exclusivamente de vinhas dentro da zona delimitada
- Seja produzido e engarrafado dentro dessa mesma zona ("na origem")
- Cumpra normas técnicas específicas: casta mínima (85% Malbec em Luján de Cuyo), densidade de plantação (mais de 5.000 plantas/ha), rendimento limitado por hectare
- Tenha no mínimo 13,5% de álcool e 18 meses entre a vindima e a saída para o mercado (6 deles em madeira)
- Ser sujeito a avaliação técnica pela comissão DOC e ter selo numerado em cada garrafa
A adesão é voluntária, mas uma vez integrada, os controlos são contínuos.
Por que a rastreabilidade DOC é mais exigente do que a convencional
Com a desregulação do INV em vigor desde 2026, as certificações de casta, colheita e origem passaram a ser facultativas para o mercado interno. Mas para exportações continuam a ser obrigatórias. Isto cria uma assimetria importante:
- Uma adega que produz DOC e exporta não pode relaxar os seus registos, mesmo que o INV já não a fiscalize com a mesma intensidade.
- O comprador externo (importador nos EUA, distribuidor no Reino Unido, cadeia no Brasil) vai exigir a rastreabilidade completa do lote.
- Se não for possível demonstrá-la, perde-se o negócio. Simples.
Que registos exige a rastreabilidade DOC na prática
Para cada vinho que ostente o selo DOC, é necessário conseguir rastrear:
Na vinha:
- Parcela de origem com coordenadas ou esboço
- Casta e ano de plantação da vinha
- Práticas culturais: poda, desfolha, monda de cachos
- Vindima: data, quilos por parcela, análises de maturação (Brix, pH, acidez)
Na adega:
- Entrada de uva por parcela identificada
- Processo completo de elaboração com datas e operadores
- Movimentos de produto: cada trasfega, filtração, correção
- Análises intermédias e finais de laboratório
- Estágio: data de entrada e saída das barricas, tipo de madeira, número de barrica
No engarrafamento:
- Data de engarrafamento, volume, número de lote
- Número de selo DOC atribuído
- Contra-rótulo com toda a informação
Tudo isto tem de poder ser consultado por lote e exportado como relatório em minutos, não em dias.
O problema do papel e das folhas de cálculo Excel
A maioria das adegas DOC ainda cruza estes dados manualmente: o viticultor usa um caderninho, o enólogo trabalha numa folha de cálculo Excel, a parte de laboratório está noutro sistema e a área comercial não tem acesso a nenhum dos três.
Quando surge um comprador internacional a pedir a rastreabilidade do lote que adquiriu, reconstruir essa informação pode demorar dias. Em alguns casos, simplesmente não é possível porque os registos se perderam ou estão incompletos.
Como digitalizar a rastreabilidade DOC sem reinventar a roda
Não é necessário um ERP de milhares de dólares. O que se precisa é de um sistema que:
- Esteja desenhado para o esquema DOC/IG argentino (não para a regulamentação espanhola ou europeia)
- Ligue vinha → adega → laboratório → engarrafamento numa única rastreabilidade de lote
- Gere relatórios exportáveis no formato exigido pelos compradores externos
- Funcione a partir do telemóvel para que o enólogo possa introduzir dados diretamente da adega
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Se a sua adega produz sob DOC ou IG e exporta, não se pode dar ao luxo de não ter isto.
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