Exportar vinho para a União Europeia é o objetivo de muitas adegas argentinas, mas os requisitos documentais e de rastreabilidade são mais exigentes do que a maioria antecipa. Não basta ter um bom vinho: é necessário um sistema de documentação que satisfaça o INV (que emite o certificado de exportação), o importador europeu e as alfândegas do país de destino.
Este guia detalha os requisitos atuais para que uma adega argentina possa exportar vinho para qualquer país da UE.
Certificado VI-1: o documento central
O certificado VI-1 (ou documento de acompanhamento para produtos vitivinícolas importados na UE) é o documento obrigatório para todo o despacho de vinho que entre na União Europeia. Sem este documento, o vinho não passa pela alfândega.
Na Argentina, o VI-1 é emitido pelo INV na sua qualidade de organismo oficial de controlo. Para o obter, a adega deve:
- Solicitar o certificado ao INV com, pelo menos, 10 dias úteis de antecedência em relação ao despacho.
- Apresentar as análises de laboratório do lote a exportar, realizadas por um laboratório autorizado pelo INV.
- Declarar a composição do produto: casta(s), ano de vindima, região de origem, grau alcoólico, acidez, SO₂, açúcar residual.
- Demonstrar a rastreabilidade do lote: desde a entrada da uva até ao produto engarrafado pronto para despacho.
O INV verifica que a informação seja consistente com as declarações apresentadas durante a elaboração e o engarrafamento.
Análises de laboratório obrigatórias
A UE exige que os vinhos importados cumpram parâmetros analíticos específicos. As análises que o laboratório deve realizar incluem:
| Parâmetro | Requisito UE |
|---|---|
| Grau alcoólico volumétrico | Deve coincidir com o declarado (±0,5%) |
| Acidez volátil | Máx. 1,08 g/L (tintos), 0,90 g/L (brancos e rosés) |
| SO₂ total | Máx. 150 mg/L (tintos), 200 mg/L (brancos e rosés) |
| Açúcar residual | Consistente com a categoria declarada (seco, meio-seco, etc.) |
| Ácido cítrico | Máx. 1 g/L |
| Presença de híbridos | Não são admitidas castas proibidas |
Estas análises devem ser realizadas num laboratório autorizado pelo INV. O certificado de análise é anexado ao VI-1.
Requisitos de rotulagem para a UE
A rotulagem de vinho para a UE tem requisitos específicos que diferem dos do mercado argentino:
Obrigatórios
- Denominação de venda (ex.: "Vinho tinto / Red wine")
- País de origem ("Produto da Argentina / Product of Argentina")
- Grau alcoólico volumétrico
- Volume nominal da embalagem
- Lote de produção
- Importador/engarrafador UE (nome, morada)
- Declaração de alergénios (sulfitos, se >10 mg/L; proteínas de leite, ovo, se utilizadas como agentes de clarificação)
- Declaração nutricional (obrigatória desde dezembro de 2023, Regulamento 2021/2117)
- Lista de ingredientes (obrigatória desde dezembro de 2023)
A declaração nutricional: a alteração recente
Desde 8 de dezembro de 2023, todos os vinhos comercializados na UE devem incluir uma declaração nutricional. Esta pode constar:
- No rótulo físico da embalagem, ou
- Através de um rótulo eletrónico (e-label) acessível por código QR.
A declaração deve incluir: valor energético, gorduras, gorduras saturadas, hidratos de carbono, açúcares, proteínas e sal. Para vinhos, a maioria destes valores é 0 ou muito baixa, mas devem ser declarados igualmente.
Rastreabilidade: o que o importador europeu exige
Para além dos requisitos regulatórios, os importadores europeus de referência solicitam documentação de rastreabilidade que vai além do VI-1. Pretendem saber:
- De que vinhas provém a uva (quinta, talhão, altitude, solo).
- Quando foi efetuada a vindima e em que condições.
- Que processo de elaboração foi seguido (tipo de fermentação, tempo de maceração, estágio).
- Que produtos enológicos foram utilizados.
- Historial de movimentos do lote (trasfega, cortes, filtrações).
Esta informação não é um requisito legal para a alfândega, mas é um requisito comercial para fechar a venda. Os importadores que trabalham com cadeias de retalho ou com sommeliers necessitam desta documentação para os seus próprios clientes.
Logística e documentação de transporte
O despacho de vinho para exportação envolve documentação adicional:
- Guia de trânsito do INV: autorização para o transporte do vinho desde a adega até ao ponto de embarque.
- Certificado fitossanitário (se exigido pelo país de destino, embora não seja habitual para vinho engarrafado).
- Documento de transporte: carta de porte ou conhecimento de embarque.
- Fatura comercial: com os dados do importador, Incoterm acordado, valor FOB/CIF.
- Packing list: detalhe de paletes, caixas, garrafas.
Erros frequentes que bloqueiam o despacho
- Dados inconsistentes entre o VI-1 e o rótulo: se o grau alcoólico no VI-1 indica 14,0% e o rótulo indica 13,5%, o despacho é suspenso.
- Lote não identificável: se o número de lote do rótulo não coincide com o do certificado de análise, existe um problema de rastreabilidade.
- SO₂ acima do limite: enviar um vinho com 165 mg/L de SO₂ total quando o limite para tintos é 150 mg/L não só bloqueia o despacho, como pode resultar na destruição do lote no destino.
- Rotulagem incompleta: ausência da declaração de alergénios ou da declaração nutricional. Desde 2023, isto constitui motivo de rejeição.
- VI-1 expirado: o certificado tem validade limitada. Se o despacho se atrasar e o VI-1 expirar, é necessário tratar de um novo.
Como o Cepaos facilita a exportação
O Cepaos mantém a rastreabilidade completa do lote desde a entrada da uva até ao despacho. Isto significa que quando é necessário preparar a documentação para exportar:
- Os dados do lote (casta, proveniência, elaboração, produtos utilizados, movimentos) estão disponíveis num relatório de rastreabilidade que pode ser entregue ao importador.
- Os parâmetros analíticos estão registados e é possível verificar que cumprem os limites da UE antes de despachar.
- A informação para o VI-1 é gerada a partir dos dados já introduzidos, sem reconstrução manual.
A exportação não deve ser um projeto de documentação separado. É a continuação natural de uma rastreabilidade bem gerida ao longo de todo o processo.
> Cepaos: Se pretende experimentar o Cepaos como parte dos founding members, consulte os requisitos do programa.
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