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Blog·6 min de leitura·Cepaos

El Niño 2026/27 Muito Forte: guia para vinhedos do Sul

Embrapa e MAPA alertam para El Niño Muito Forte na safra 2027. Saiba o que fazer nos vinhedos da Serra Gaúcha, Campanha e Campos de Cima da Serra.

O fenômeno El Niño 2026/2027 está oficialmente estabelecido, apresentando probabilidade de permanência entre 97% e 99% até o início de 2027 [1]. Para quem cultiva videiras na Serra Gaúcha, na Campanha ou nos Campos de Cima da Serra, entender o que está por vir — e agir antes — pode ser a diferença entre uma vindima comprometida e uma safra resiliente.

O que dizem os números: probabilidades e períodos críticos

O fenômeno El Niño 2026/2027 apresenta probabilidade de permanência entre 97% e 99% até o início de 2027 [1]. Mais do que isso: as projeções indicam uma chance de 63% de o evento atingir a categoria "Muito Forte" no período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 [1].

Para a vitivinicultura do Sul, esse recorte temporal é especialmente preocupante. Novembro, dezembro e janeiro correspondem exatamente ao fechamento de cacho, à virada para a maturação e ao início da colheita das variedades mais precoces. A Embrapa identifica dois momentos de atenção:

  • Fase de Atenção Inicial: o período entre setembro e dezembro de 2026 é considerado crítico devido ao aumento severo das precipitações acumuladas [1].
  • Pico do Fenômeno: o intervalo de novembro de 2026 a janeiro de 2027 apresenta o maior risco histórico de ocorrência de episódios climáticos extremos sob a categoria de El Niño "Muito Forte" [1].

No campo, isso se traduz em chuvas volumosas e concentradas, alta frequência de dias nublados com severa redução da radiação solar e temperaturas de inverno acima da média — tudo ao mesmo tempo [1].

Os riscos concretos para o vinhedo

A nota técnica da Embrapa para a Região Sul lista uma série de impactos que o viticultor precisa antecipar:

Alta pressão fitossanitária. A umidade relativa elevada, o molhamento foliar prolongado e a nebulosidade constante criam o ambiente ideal para a proliferação de doenças fúngicas e bacterianas [1]. Míldio e podridão cinzenta, já endêmicos na Região Sul em anos normais, tendem a ser ainda mais agressivos.

Restrição de radiação solar. Dias seguidos sem sol direto reduzem a atividade fotossintética, prejudicando a floração, o enchimento de grãos e a maturação das frutas [1].

Perdas de qualidade no produto colhido. Chuvas intensas nas fases de maturação e colheita provocam rachaduras em frutos e aumento da incidência de micotoxinas — dois fatores que comprometem tanto a uva de mesa quanto a destinada à vinificação [1].

Danos estruturais por tempestades. Ventos fortes e granizo podem causar tombamento de plantas, quebra de fustes na silvicultura e danos em infraestruturas rurais [1].

O que a Embrapa recomenda para a videira

A nota técnica regional da Embrapa reúne recomendações específicas para mitigar esses riscos. Veja as mais relevantes para o vinhedo:

Manejo do dossel vegetal

Desbrota, desfolha e raleio de cachos são práticas que melhoram a circulação de ar dentro do dossel, permitindo que os cachos sequem mais rapidamente após as chuvas. Em um ano com alta frequência de dias úmidos, esse manejo reduz diretamente o tempo de molhamento foliar e, consequentemente, a janela de infecção para fungos.

Fungicida estritamente preventivo

A recomendação é clara: aplicar antes das chuvas, não depois. Com solos encharcados impedindo a entrada de máquinas, o calendário de pulverização precisa ser antecipado.

Controle do nitrogênio

Evitar o excesso de nitrogênio é fundamental para não estimular vigor vegetativo excessivo. Dosséis mais densos agravam exatamente os problemas de umidade e doenças que o El Niño tende a potencializar.

Cobertura plástica em áreas de alto valor

Para blocos com variedades de alto valor agregado ou mais sensíveis à podridão, a Embrapa indica a instalação de cobertura plástica como medida de proteção direta contra chuvas concentradas durante a maturação.

Respeitar o ZARC

Seguir rigorosamente o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), especialmente quanto a cultivares recomendados, é uma das diretrizes centrais tanto da Embrapa quanto da página El Niño Agro do MAPA.

Instrumentos federais de gestão de risco: ZARC, seguro rural e Proagro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) instituiu o Grupo de Trabalho El Niño por meio da Portaria MAPA nº 928, publicada no Diário Oficial da União em 1º de julho de 2026 [2]. O GT reuniu representantes de diversas secretarias do MAPA, da Embrapa e do INMET, e apresentou seu relatório final em 24 de setembro de 2026 [2].

A página El Niño Agro do MAPA — lançada em 2 de outubro de 2026 — centraliza as ferramentas disponíveis ao produtor rural [2]:

  • ZARC: o zoneamento define épocas de plantio e cultivares com menor exposição ao risco climático. Consultar e seguir o ZARC é a base de qualquer estratégia de mitigação.
  • Seguro rural e Proagro: aderir a programas de seguro agrícola é a principal forma de transferência de risco financeiro. A Embrapa reforça explicitamente essa recomendação para o período El Niño.
  • Informação climática: acompanhar diariamente os boletins do INMET e dos demais órgãos oficiais deve fazer parte da rotina operacional do vinhedo e da vinícola durante todo o período crítico.

A estratégia do MAPA combina prevenção, boas práticas de manejo, assistência técnica e instrumentos de proteção ao produtor, com a informação climática no centro da tomada de decisão.

Planejamento na vinícola: recepção e colheita escalonada

Do lado da cantina, o El Niño "Muito Forte" exige um replanejamento da recepção de uva. Com maior probabilidade de uva chegando com sanidade comprometida — rachaduras, início de podridão, carga fúngica elevada —, é preciso rever:

  • Protocolos de triagem na recepção: critérios claros de aceite e descarte por lote, com registro de origem e condição sanitária para rastreabilidade completa.
  • Colheitas escalonadas: antecipar a colheita de blocos mais vulneráveis e escalonar a entrada de uva para não sobrecarregar a estrutura de recepção em dias de janela climática favorável.
  • Flexibilidade de vinificação: ter definidos, antes da safra, os protocolos para vinificação de uva com comprometimento parcial de sanidade.

Ferramentas como o Cepaos ajudam a organizar esses fluxos: o módulo de recepção de uva registra pesagem e rastreabilidade de lote do vinhedo até o tanque, os registros fitossanitários ficam centralizados por parcela e bloco, e o acompanhamento de fermentação permite reagir rapidamente a desvios.

A preparação começa agora

O período entre setembro e dezembro de 2026 é considerado crítico devido ao aumento severo das precipitações acumuladas [1]. Produtores que aguardarem os primeiros sinais visíveis no vinhedo para agir estarão, inevitavelmente, atrasados. A Embrapa é direta: a gravidade dos impactos dependerá da rapidez e do nível de preparação dos produtores no planejamento de suas áreas [1].

Revise o calendário fitossanitário, acione seu seguro rural, consulte o ZARC para sua região e mantenha o INMET aberto no celular.


Quer organizar o manejo do seu vinhedo e a rastreabilidade da sua vinícola para enfrentar a safra 2027 com mais controle? Conheça o Cepaos em https://cepaos.com/pt-BR?ref=blog_auto_2026-w45.

Fontes

  1. El Niño na Região Sul - Portal Embrapa — Portal Embrapa, consultado em 14 de outubro de 2026. https://www.embrapa.br/el-nino-no-brasil-manejo-e-mitigacao-de-riscos/regiao-sul
  2. El Niño Agro — Ministério da Agricultura e Pecuária, consultado em 2 de novembro de 2026. https://www.gov.br/agricultura/pt-br/campanhas/el-nino-agro

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