← Blog
Blog·7 min de leitura·Cepaos

Simagro-RS e Epagri/Ciram: proteja sua safra de geadas e doenças

Saiba como os alertas gratuitos do Simagro-RS e do Ciram/Epagri podem proteger uvas de geadas, míldio e oídio com até 5 dias de antecedência na Serra Gaúcha.

A geada é um dos riscos mais temidos por quem trabalha com uvas no Sul do Brasil. Uma noite fria no momento errado — durante a brotação ou a floração — pode comprometer safras inteiras na Serra Gaúcha e em outras regiões produtoras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A boa notícia é que dois estados mantêm sistemas públicos e gratuitos de alertas agroclimáticos que colocam informação precisa na mão do produtor antes que o dano aconteça.

Como funciona o Ciram/Epagri em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia da Epagri, o Ciram, opera desde 2009 o Sistema Online de Previsão de Geadas [1]. A plataforma, acessível pelo site do Ciram, oferece previsão com até cinco dias de antecedência e três cenários de probabilidade — máxima, média e mínima —, além da intensidade esperada do fenômeno, classificada conforme a temperatura da relva [1]. Geada ocorre abaixo de 0 °C, moderada abaixo de -2 °C e forte abaixo de -6 °C [1]. O cálculo é feito a cada 3 km², resolução que considera o relevo irregular das regiões produtoras catarinenses [1].

O sistema roda oito modelos de previsão simultaneamente e disponibiliza tanto a média quanto os extremos de probabilidade [1]. Segundo a meteorologista Gilsânia de Souza Cruz, do Ciram, o índice de acerto nos dois primeiros dias chega a 90% [1]. "É claro que há sempre possibilidade de não ocorrer, afinal, quando fazemos previsão estamos usando equações matemáticas com entrada de dados que dão um prognóstico", explica.

Desde a última atualização da plataforma, a Epagri estima que o sistema tenha evitado R$ 84,7 milhões em perdas agrícolas, beneficiando atualmente 11.124 hectares de plantações [1]. A Epagri desenvolve uma nova versão da interface, com navegação aprimorada para celular, com previsão de lançamento até o início de 2027 [1].

Como funciona o Simagro-RS no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, maior estado produtor de uvas e vinhos do país, o monitoramento é feito pelo Simagro-RS, sistema da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação. A plataforma, disponível em simagro.rs.gov.br, alimenta-se de 98 estações meteorológicas automáticas e cobre todos os 497 municípios gaúchos com dados atualizados diariamente [1].

Os alertas são organizados em quatro níveis — Normalidade, Leve Atenção, Atenção e Alerta — e podem ser consultados para períodos de 1, 3 ou 7 dias [1]. Para a vitivinicultura, o Simagro inclui um alerta específico para videiras, com previsões de risco para geada, míldio, oídio, chuva intensa e estiagem [1]. Consultado nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o sistema indicava nível de atenção para geada nos municípios de Bom Jesus, Jaquirana e São José dos Ausentes [1].

O Simagro também emite alertas para precipitação, ITU, chill index ovino, calor, frio e estiagem agrícola, sendo uma ferramenta abrangente para a gestão do risco climático em toda a cadeia produtiva gaúcha [1].

Por que a antecedência de cinco dias é decisiva

O pesquisador Carlos Eduardo Salles de Araújo, responsável pelo sistema da Epagri, destaca que o intervalo de cinco dias é o que torna o alerta operacionalmente útil [1]. Sem essa antecedência, medidas como acionamento de sistemas de aspersão, cobertura de plantas ou reorganização de colheita ficam inviáveis. Variedades precoces, de alta produtividade mas com brotação antecipada, são as mais expostas quando o produtor não tem informação suficiente para agir com tempo [1].

A lógica vale igualmente para o RS. O Simagro foi concebido para transformar previsão meteorológica em decisão prática de manejo. Os alertas para videiras indicam risco de doenças fúngicas com base em modelos que cruzam temperatura, umidade e estágio fenológico — o mesmo princípio aplicado às geadas. Isso significa que o produtor da Serra Gaúcha pode saber com antecedência quando as condições favorecem uma epidemia de míldio ou oídio, ajustando o calendário e o volume de aplicação de defensivos antes que o problema se instale.

Integrando os alertas à gestão de custos e ao seguro agrícola

Usar os alertas do Simagro-RS e do Ciram de forma consistente gera um registro histórico valioso. Quando o produtor documenta cada ação tomada a partir de um alerta — uma aplicação preventiva de fungicida, um acionamento de aspersores —, esse histórico pode ser apresentado à seguradora no momento de acionar o seguro agrícola, comprovando que a gestão foi diligente.

Do ponto de vista de custos, a antecipação permite otimizar o uso de defensivos: tratar somente quando o modelo aponta risco real, em vez de pulverizar por calendário fixo, reduz gastos e o impacto ambiental.

Um ponto ainda em aberto, nos dois estados, é a automação da entrega dos alertas. Hoje, o produtor precisa acessar as plataformas por conta própria. Um sistema que enviasse notificações ao celular ampliaria o alcance das ferramentas e reduziria a dependência do acesso ativo — investimento que o impacto econômico já documentado sustenta.

Declarações obrigatórias e conformidade regulatória no RS

Gestão climática e conformidade regulatória caminham juntas na vitivinicultura gaúcha. No Rio Grande do Sul, as declarações obrigatórias da Lei nº 7.678/1988 relativas à cadeia produtiva de vinhos e derivados da uva são feitas no SISDEVIN, o Sistema de Declarações Vinícolas da Secretaria da Agricultura (Seapi), que substituiu o SISDECLARA [2]. Todos os produtores de uva declaram anualmente no SIVIBE a produção colhida de 1º de janeiro a 31 de dezembro, até 10 dias depois de concluídas todas as colheitas [3]. Adicionalmente, vitivinicultores e vinicultores declaram a quantidade de uva recebida e vendida por variedade no prazo de 10 dias após a vindima, e a quantidade de vinhos e derivados produzidos durante a safra até 45 dias após a vindima [4].

Manter o vinhedo bem monitorado — com registros fenológicos, fitossanitários e de colheita atualizados — facilita o preenchimento correto dessas declarações e reduz o risco de inconsistências. É aqui que uma solução de gestão como o Cepaos contribui: o módulo de viticultura registra blocos e parcelas, fenologia, ordens de serviço, aplicações fitossanitárias e dados de colheita em um único lugar.

Conclusão: informação pública + gestão integrada = safra mais protegida

As ferramentas do Simagro-RS e do Ciram/Epagri representam um recurso de alto valor agregado disponível gratuitamente para todos os produtores do Sul do Brasil. Combinadas a uma gestão estruturada do vinhedo — que documente cada decisão tomada a partir dos alertas —, essas plataformas podem reduzir perdas, otimizar o uso de defensivos e fortalecer a posição da vinícola perante seguradoras e fiscais do MAPA.

O próximo passo é simples: cadastre os municípios do seu vinhedo no Simagro-RS e no Ciram, estabeleça uma rotina de consulta diária nos períodos críticos de brotação e floração, e registre cada ação preventiva. A safra agradece.


Quer integrar os alertas climáticos à gestão completa do seu vinhedo e da sua vinícola? Conheça o Cepaos, plataforma de gestão para bodegas e vinhedos com módulos de viticultura, vinificação, conformidade regulatória e muito mais.

Conheça o Cepaos →

Fontes

  1. Ferramentas públicas de previsão de geadas monitoram regiões vitivinícolas do Sul e podem reduzir perdas na safra - A Vindima — A Vindima, publicado em 14 de outubro de 2026. https://www.avindima.com.br/previsao-geadas-vitivinicultura-sul-epagri-simagro/
  2. SISDEVIN (Rio Grande do Sul) — Lei nº 7.678/1988 (declarações obrigatórias, arts. 29 e 31) — Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS (Seapi), verificado em 2 de outubro de 2026. https://www.agricultura.rs.gov.br/sisdevin
  3. Declaração anual de produção de uvas (SIVIBE) — Lei nº 7.678/1988, art. 29, I e II; IN MAPA nº 59/2020, art. 8º, parágrafo único (redação da Portaria MAPA nº 824/2025) — Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), verificado em 2 de outubro de 2026. https://sistemasweb.agricultura.gov.br/pages/manual_SIVIBE.pdf
  4. Uva recebida e vinhos produzidos na safra — Lei nº 7.678/1988, art. 29, II e III — Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), verificado em 2 de outubro de 2026. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1980-1988/l7678.htm

Biblioteca do winemaker

Os dados regulatórios do vinho no Brasil, com a fonte

23 dados verificados — tributos, nota fiscal, declarações, prazos e registro no MAPA —, cada um com a norma, o link para a fonte oficial e a data em que o verificamos. Grátis e sem cadastro.

Abrir a biblioteca

Receba novidades de viticultura e tecnologia

Quero receber por e-mail a newsletter e as novidades comerciais da cepaos LLC (1021 E Lincolnway, Ste 10026, Cheyenne, WY 82001, EUA; hello@cepaos.com). Vou confirmar a inscrição pelo e-mail que receberei e posso cancelá-la a qualquer momento.