← Blog
Conteúdo em tradução para Português europeu. Apresentamos a versão original abaixo enquanto a tradução não está disponível.
Blog·7 min de leitura·Cepaos

Certificação DOP na CVR: do pedido ao selo de garantia

Conta-corrente, amostra, análise físico-química e sensorial, decisão e selos: como a CVR certifica um lote DOP ou IG e o que ter pronto antes de pedir.

Um lote de Alvarinho está pronto para engarrafar, a gráfica tem os rótulos e o cliente quer a encomenda na próxima semana. Falta o selo. E o selo só chega quando a CVR confirma três coisas que, muitas vezes, estão em sítios diferentes da adega: o saldo da conta-corrente, a análise do lote e a rotulagem aprovada.

Este guia explica, com as fontes das próprias entidades certificadoras, como funciona a certificação de um lote DOP ou IG e o que a adega deve ter organizado antes de carregar no botão «pedir».


3 condições
Para a CVRVV certificar um lote: análise aprovada, rotulagem aprovada e lote em conta-corrente
1 código por garrafa
Cada selo de garantia tem um código alfanumérico único (CVR Alentejana)
DL 61/2020
Quadro legal da organização institucional do setor vitivinícola, que revogou o DL 212/2004

Quem certifica e quem fiscaliza quem certifica

Em Portugal, a certificação dos vinhos com denominação de origem (DOP/DO) ou indicação geográfica (IGP/IG) é feita pelas entidades certificadoras de cada região: as Comissões Vitivinícolas Regionais (CVR) e, no Douro e Porto, o IVDP. O IVV não certifica lotes: segundo a sua página institucional, cabe-lhe «realizar auditorias de gestão e dos sistemas de controlo e certificação das entidades certificadoras» dos produtos com DOP ou IG (IVV, Quem somos).

O enquadramento legal é o Decreto-Lei n.º 61/2020, de 18 de agosto, que atualizou a organização institucional do setor e revogou o Decreto-Lei n.º 212/2004. Vale a pena confirmar que os documentos internos da adega, os procedimentos de qualidade e até os contratos já não citam o diploma revogado.

Cada entidade tem o seu manual de certificação. O que se segue usa os exemplos publicados pela CVR dos Vinhos Verdes e pela CVR Alentejana; noutras regiões, os passos são semelhantes, mas os pormenores (número de garrafas da amostra, prazos, taxas) estão no manual de cada CVR.

Antes do lote: o que a CVR já tem de ter validado

A CVR Alentejana descreve o processo de certificação como uma sequência de aprovações que começa muito antes do engarrafamento (CVRA, Processo de certificação):

  1. criação das contas-correntes;
  2. aprovação do cadastro de vinhas (áreas e castas);
  3. validação e aprovação da quantidade de uvas colhidas e dos volumes produzidos;
  4. aprovação do lote pelo laboratório de análise físico-química;
  5. aprovação do lote pelo laboratório de análise sensorial.

Os três primeiros passos ligam a certificação ao que a adega declarou na vindima: as parcelas do Registo Vitícola, a uva colhida e o vinho produzido, os mesmos dados da Declaração de Colheita e Produção. Se a DCP disser uma coisa e a conta-corrente da CVR outra, o problema aparece no dia em que se pedem os selos.

O pedido de certificação, passo a passo

A CVR dos Vinhos Verdes publica o processo com detalhe (CVRVV, Processo de certificação). A certificação é concedida quando se verificam três condições:

  • lote aprovado analiticamente (ensaios físico-químicos e sensoriais);
  • rotulagem aprovada, de acordo com a conta-corrente e com o resultado analítico;
  • lote em conta-corrente e com as especificações constantes na rotulagem.

O circuito:

  1. Pedido online. Na área reservada, o operador escolhe o tipo de produto, a função analítica e a informação do lote a certificar.
  2. Amostra. Entrega uma amostra representativa do lote, identificada, na embalagem e no volume definidos no manual.
  3. Relatório de ensaio. Os resultados ficam no relatório do laboratório, disponível na área reservada.
  4. Decisão. Um automatismo informático verifica se todos os requisitos aplicáveis se cumprem.
  5. Documento de certificação. Indica o deferimento ou indeferimento.

Na CVRVV, os selos integrados no contrarrótulo têm de ser produzidos em tipografias autorizadas pela CVR, e com a entrega dos selos é cobrada a taxa de certificação na comercialização.

O selo de garantia: um número por garrafa

O selo é o fim visível do processo. Segundo a CVR Alentejana, a cada garrafa de vinho certificado é atribuído um selo de garantia com um código alfanumérico único, e os vinhos só podem ser introduzidos no mercado depois de aprovados nos vários processos e na rotulagem.

Para a adega, isso cria uma pequena contabilidade paralela: quantos selos se pediram para cada lote, quantos se aplicaram, quantos sobraram e quantos se estragaram na linha de engarrafamento. Quando esta contabilidade vive num caderno, a pergunta «este lote já tem selos?» exige uma volta à adega.

Os erros que atrasam a certificação

  • Volume do lote acima do saldo da conta-corrente, porque um lote foi lotado com vinho de outra origem que não estava contabilizado.
  • Rótulo com informação diferente da análise, por exemplo o teor alcoólico, ou com a casta mal indicada.
  • Origem por parcela incompleta num lote feito de vários depósitos.
  • Análise antiga, feita antes da última correção ou estabilização do lote.
  • Selos pedidos sem controlo, que obrigam a reconstruir quantos foram aplicados a cada lote.

Como o Cepaos prepara a certificação

No Cepaos, a origem de cada lote é registada desde a vinha: cada lote sabe de que parcelas e de que colheita vem, em que percentagem, e por que depósitos passou. Sobre essa base, há duas ferramentas para a certificação em Portugal:

  • Selo de garantia: cada vinho com denominação aparece com o depósito, o volume atual e o estado do selo (por pedir, pedido, atribuído, com o número do certificado), para saber de relance que lotes ainda não podem sair.
  • Dossier CVR: num clique, o Cepaos junta num ficheiro ZIP, por lote DOC, a identificação da adega (com o n.º de registo no IVV), a origem por parcela, a analítica (grau, acidez, pH, SO₂), o rendimento em kg/ha e o estado do selo, em PDF e em CSV. Quando falta uma peça, o dossier não a inventa: sai com um aviso, como «dados analíticos incompletos», «sem rastreabilidade de origem» ou «a soma das percentagens de origem não dá 100 %».

O pedido de certificação continua a ser feito pela adega, na área reservada da sua CVR ou do IVDP. O Cepaos não comunica com a entidade certificadora; serve para que, quando a adega faz o pedido, os números da conta-corrente, da análise e do rótulo já batam certo.

Para ver o que mais o Cepaos cobre em Portugal, consulte a página Cepaos e o IVV. Os prazos e as normas das declarações ao IVV estão na Biblioteca do enólogo para Portugal.

Lista de verificação antes de pedir a certificação

  1. Conta-corrente do lote com saldo suficiente para o volume a engarrafar.
  2. Origem do lote por parcela, coerente com a DCP e com o cadastro de vinhas.
  3. Análise físico-química do lote no estado final, depois da última correção.
  4. Rótulo coerente com a análise e com a conta-corrente (teor alcoólico, casta, colheita).
  5. Amostra preparada segundo o manual da CVR.
  6. Selos: quantidade pedida igual às garrafas previstas, com registo dos aplicados e dos inutilizados.

Fontes

Artigos relacionados

Biblioteca do winemaker

Os dados regulamentares do vinho em Portugal, com a fonte

19 dados verificados — impostos, faturação, declarações e prazos —, cada um com a norma, a ligação à fonte oficial e a data em que o verificámos. Gratuito e sem registo.

Abrir a biblioteca

Receba novidades de viticultura e tecnologia

Quero receber por email a newsletter e as novidades comerciais da cepaos LLC (1021 E Lincolnway, Ste 10026, Cheyenne, WY 82001, EUA; hello@cepaos.com). Confirmarei a subscrição a partir do email que vou receber e posso cancelá-la a qualquer momento.